Domingo, Fevereiro 01, 2009

Impossível


Invoco o impossível
Navego hoje e agora
Pelos limites da alma
Além do tempo
E história
Cercado pelo nevoeiro
Mar desconhecido
Nos antípodas da imaginação
Carrego comigo
Lendas e mitos
Escondidos em grãos
De areia
E a chave mestra
De sal…

Por Lord Poseidon

Fotografia cedida por Miguel Silveira

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Sem Resposta


Na sombra do teu olhar
Onde a luz se eclipsa
E a alma se perde
Afundando-se nas ruínas
De não ser como era
Simples ingénuo
Hoje cruel e frio
Porquê?
Porquê?
Não sei…
Talvez…
Sempre a mesma pergunta
Nem sempre a mesma reposta…
Por Lord Poseidon
Fotografia cedida por Miguel Silveira

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Entre dois


Assombras o passado
Segues os meus passos
Por entre ruas estranhas
Esconde-te na penumbra
O sangue ferve

Acido corroendo
A pureza que resta em mim
Ao sentir o teu beijo envenenado
Que faz fez e fará esquecer
O que fizeste …

Sacrilégio seja entre…
E na pira funesta mundana das tuas mãos
De meretriz desfazes em farrapos
Rasgando esta alma
Com as tuas, doces garras de Harpia

Rendo-me á luxúria
E reviro o tabuleiro da vida
Num holocausto de sentimentos
Aprisiono o que resta de ti em mim
Com grilhões de dor

Acarinho os teus gritos
Num amordaçar de lábios
Trespassando o teu corpo nu
Com ódio e terror e …

By Lord Poseidon

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Desejo


Não sei porque escrevo
Nem porque existo
Desisto
Ao inevitável
Jogo da vida
Miserável

Nada faz sentido
E mesmo que fizesse
Não saberia entender
Dúvida acotovelando-se
Sobre dúvidas
Incompreensíveis aos meros mortais

Desejo amar
E só sei odiar
Desejo partilhar
E não sei dar
Desejo sonhar
E não sei se sei

Vivo no inconstante
Distante
Tento ser que não sou
Preso ao passado
Fico a marcar o passo
Num compasso
Monocórdico

A vida é um veneno
A morte o remédio
Desconfio de mim mesmo
Por instantes
Na incerteza
Que possa acontecer novamente…

Fotografia cedida por Miguel Silveira

By Lord Poseidon

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Recordações


Livro
Aberto
Folheio as páginas
Leves plumas
Ao sabor das mãos
Lendo pequenas passagem

Como quem alinhava
Uma manta de retalhos
Sublinhado
A lápis negro noite
Em traços finos
Pensamentos e lamentos

As horas desvanecem
A luz esmorece
Os olhos ardem
E o retrato dela
Reluz debaixo
Do fino pó

Memórias entrelaçadas
Na vertigem do entardecer
O frio abalroa os ossos
Em golpes ocasionais
Lembrando o ocaso
Embrulho-me no sono

Do ronronar do Orpheu
Que no coxim
De rendas bilros
Amarelados do tabaco
Dorme
Serenamente

E os pensamentos
Desfazem-se em espuma
Lancinante…

Fotografia cedida por Miguel Silveira

By Lord Poseidon

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Palavras


Palavras trechos
De uma vida
Escrita em fogo
Através de instantes
Inconstantes
Incertos

Pequenas
Encantadas
Opressoras
Nas linhas
Dos versos
E no inverso

Palavras
Construções
Que se erguem
Para o firmamento
Em intrincadas
Ilusões

Pena de cisne
Envolta em tinta
Azul-fino
Escrevendo
Em pergaminhos
As Histórias de alguém

Palavras
Demolidoras
Cruéis
Destruindo
Tudo á sua passagem
Enquanto a mente divaguei-a

Caos
Morte
Destroços
Ruínas nas quais
Nascem flores
Pétalas fogo vivo

Palavra
Punhais que magoam
E atordoam
Farpas que fazem
Sangrar feridas
Antigas

Causadoras
De dor
Medo
Solidão
E silêncio
Nas entrelinhas

Palavras
Simples
Complexas
Labirintos
No qual encontro
A palavra amor

Amor
Quatro letras
Irreais
Que são a realidade
Hostil da existência
Humana

By Lord Poseidon

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Casca De Noz


Tempestade impiedosa
Mar desconhecido
Sem terra á vista
Além das colunas de Hércules
Singro pelas vagas
Gigantes e esmagadoras

Casca de noz
Sacudida por monstros
Das profundezas
Fazendo ranger despedaçando
A velha casca
A minha protecção

Sonho e pesadelo
Água fria enche os pulmões
Nada acontece
Flutuo inerte
Azul celestial
Azul abissal

Decisão final
Aos primeiros
Instantes da aurora
Afundo num dégradé
De cores e dores
Escuridão silenciosa…


Fotografia cedida por Miguel Silveira

By Lord Poseidon